sábado, 10 de setembro de 2016

Petiscos - No casco da Tartaruga


Na música "Cultura", da Palavra Cantada, diz que "tartaruga por dentro é parede". Que interessante! Carregar em suas costas a própria casa e poder se esconder nela num simples recolher de cabeça. Sem precisar de sapatinhos vermelhos, pó de pirlimpinpin, aparatar ou mesmo voar. As paredes da casa são um casco bem duro, quem já teve tartaruga que o diga.

Eu não tive uma, e sim duas. Por conta própria decidi que um era macho, Zizu, apelido de Zinedine Zidane, aquele jogador, claro, o bicho foi batizado antes da cabeçada. A outra foi fêmea, porque seria divertido um casal, mas nunca descobri se estava certa, ela se chamava Sarali.

Elas sujavam a água e a deixavam com um cheiro horroroso. Eu limpava quase duas vezes por semana. Porém, cada vez que aumentávamos o aquário, mais os bichos cresciam. 

Algumas curiosidades guardo na lembrança. Certa vez fiquei acordada trabalhando até tarde e ouvi uns gritos roucos e sussurrados dessa dupla, juro que elas fazem barulho! Certa vez, um mordeu o outro, apesar de eu nunca ter enxergado dente foi difícil fazer soltar. Um dia, infelizmente, um virou de cabeça para cima e não retornou mais. Decidi que era a Sarali.

Zizu continuou por um tempo. Sujando a água, nos assustando com os gritinhos e nadando, comendo e crescendo. Chegou uma hora que por questão humanitária, ou sei lá o quê, entregamos ao Ibama. O coitado já estava grande e certamente fez história nesses pequenos grandes momentos em família.

Virgínia Pellegrinelli

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