domingo, 4 de fevereiro de 2018

Petiscos - Daquela saudade...


Uma saudade sempre nos toca de forma avassaladora. Algumas vezes vem sem pedirmos, outras esquecemos, mas sempre está lá a lembrança. Eu jamais esquecerei a máquina de costura da minha avó. Dela saía roupas lindas. Não tenho lembrança dela funcionando, só mesmo da máquina esquecida no corredor na casa da minha nonna. Eu me lembro que ela tinha um pedal, ou sei lá como se chama o lugar onde o pé ficava subindo e descendo. Nele, nas minhas lembranças, eu fazia de pequena balança em que nos dias bem estressantes eu dormia encolhida no corredor escuro de uma casinha no interior.

Eu me lembro de uma vez que minha avó estava na sala costurando, a mão, qualquer coisa que precisava de agulha e linha. Na época, ela alegou que não estava enxergando o buraquinho da agulha para passar a linha e pediu para que houvesse umas duas tentativas de cada um de seus, acredito que, cinco netos presentes. Eu era a primeira e não entendi que buraquinho era e, claro, nem procurei, afinal casa de vó não é para pensar. Eu tentei passar literalmente a linha na agulha, de comprido, sabe?! Bom, ninguém sabe, nem precisa tentar imaginar, porque fiz minha avó dar gargalhada e o próximo neto fez o dever certinho.

Eu tive vergonha na hora mas depois acalmei meu coração. A risada da minha avó, gostosa do jeito que só ela sabia fazer, ficou para sempre guardada na memória. 

Hoje descobri que ela faria cem anos..., minha vovó Lourdes. Essa cena ainda tão viva na minha memória é uma das muitas que eu tenho dela naquela casa, naquela cidade, naqueles tempos...

Viirgínia Pellegrinelli
04/02/2018

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